sábado, 29 de janeiro de 2011

Raul de Souza (Trombone) - Biografia


Músico da Zona Oeste do Rio reconhecido mundialmente e que infelizmente não é divulgado na sua terra natal.

João José Pereira de Souza, nasceu em Campo Grande, subúrbio carioca e cresceu em Bangu, onde seu pai era pastor evangélico. Aprendeu pandeiro, bumbo, caixa e prato. Aos 16 anos de idade já tocava tuba na banda da Fábrica de Tecidos Bangu.
Foi na banda da fábrica que teve seu primeiro contato com o trombone (de válvulas), instrumento que logo em seguida estaria atacando nas gafieiras cariocas, já com o nome artístico de Raul de Souza, dado por Ary Barroso em seu programa de calouros.
Em 1957 Raul grava pela primeira vez, com Altamiro Carrilho e a turma da Gafieira, que incluía o baterista Edson Machado, o violonista Baden Powell, o sax tenor Zé Bodega e o acordeon de Sivuca. “depois de algum tempo, acabei por gravar um disco – a minha primeira gravação - que ganhou o nome da turma da gafieira (com Altamiro Carrilho e outros músicos fantásticos).
No fim do mesmo ano, vai dividir com o saxofonista Casé o título de melhor músico do ano, prêmio oferecido pelo crítico Paulo Santos em seu programa de jazz na Rádio M.E.C. do Rio de Janeiro.
Apesar do sucesso dessa primeira gravação e das participações que se seguiram, as dificuldades do mercado de trabalho, impossibilitavam a sobrevivência de Raul como músico profissional e o levaram a ingressar na Força Aérea Brasileira, onde permaneceu de 1958 a 1963, em Curitiba, como responsável pela organização da banda da corporação. Durante esse tempo, Raul trocou muitas vezes o trombone pelo bombardino, na banda, e pelo contrabaixo, em casas noturnas do local. Até que afinal se decide a trocar a segurança da vida de caserna pelas alegrias e incertezas que sempre acompanham a dedicação integral à música.
Após se desligar da FAB, vai trabalhar em orquestras de baile e casas noturnas de São Paulo, onde é chamado para trabalhar com Sérgio Mendes. De volta ao Rio de Janeiro, participa da gravação do LP de Sérgio Mendes (grupo Bossa Rio) ao mesmo tempo toca na Orquestra Carioca da Rádio Mayrink Veiga. Com Sérgio Mendes excursiona pela Europa durante um mês e meio, sua primeira experiência no Exterior.
Em 1965, Raul grava “À Vontade Mesmo”, seu primeiro LP como solista, que tem a participação do baterista Airto Moreira, conhecido por Raul nos tempos de Curitiba. Em seguida, Raul volta à Europa acompanhando o pianista Luís Carlos Vinhas. Raul permanece em Paris por um ano, trabalhando na boate Elephant Blanc e outras casas noturnas, inclusive o famoso clube de jazz Blue Note. Nessa temporada parisiense e nos quatro meses seguintes, como contratado do Casino de Monte Carlo, tem a oportunidade de tocar com grandes nomes de jazz, como o baterista Keny Clarke, um dos pais do bop. Na volta, Raul traz consigo seu primeiro trombone de vara, que passaria a ser seu instrumento favorito.
De novo no Brasil, Raul vai trabalhar por nove meses como integrante do RC-7, conjunto reunido por ele para acompanhar o cantor Roberto Carlos. Em 1968, monta o grupo instrumental Impacto 8, com o qual grava mais um disco. Um ano após, as dificuldades para ter seu trabalho reconhecido continuam e Raul parte para o México como integrante do grupo SamBrasil. Em 1973 é convidado para uma turnê pelos EUA com Flora Purim e Airto Moreira.

Ainda em 1973 Airto produz “Colors”, o primeiro LP americano de Raul de Souza, pelo selo Milestone, que tem arranjos do grande trombonista J.J.Johnson e participação do baterista Jack De Jonette e do saxofonista Cannonball Adderley. Este disco alavanca uma série de convites para participação de Raul em outras gravações (com Sonny Rollins, Caldera e outros) e leva Raul à “Encyclopedia of Jazz”, do crítico Leonard Feather.
Depois de “Colors”, viriam mais três LPs : “Sweet Lucy” em 1977, “Don’t Ask My Neighbors” em 1978 e “Till Tomorrow Comes”, em 1979. Todos pelo selo Capitol - os dois primeiros produzidos por George Duke.
Raul de Souza se consagra como compositor e instrumentista : durante sua longa temporada nos EUA, tocou e gravou com alguns dos melhores músicos americanos, como Cal’Tjader, Cannonball Adderley, Azar Lawrence, Al Dejohnette, Lionel Hampton, Sarah Vaughan, Leon Ndugu Chancler, George Duke, Stanley Clarke, Ron Carter, Frank Rosolino, Sonny Rollins, Freddie Hubbard (que assina a elogiada apresentação de seu álbum “Sweet Lucy”, do qual participa), Hubert Laws e outros, além dos brasileiros Sérgio Mendes, Airto Moreira, Flora Purim, Hermeto Pascual, Milton Nascimento, Toninho Horta, etc…
Raul também inventou um instrumento : o Souzabone, um trombone em dó com quatro válvulas, com maiores recursos que as tradicionais em si bemol com três válvulas. Raul desenhou e encomendou o instrumento, que vem utilizando a partir de seu LP “Don’t Ask My Neighbors”.
Entre os prêmios recebidos por Raul nos EUA, está o título de cidadão honorário de Atlanta, Geórgia. Em 1979, foi classificado pelo terceiro ano consecutivo entre os cinco melhores trombonistas de jazz, pelos leitores da revista Down Beat e considerado o número um, pelos da New York City Jazz Magazine.
Raul viveu por muitos anos na França, participando de apresentações com o seu grupo francês.
Em 2004 foi homenageado no Chivas Jazz Festival - Brasil. Em 2005 esteve novamente no Brasil para o lançamento do cd Elixir e do documentário "Viva Volta" de Heloísa Passos.
No início de 2006 recebeu com muita satisfação a notícia de que terá o seu novo trabalho lançado pela gravadora Biscoito Fino – o cd Jazzmim – gravado em Curitiba, com o grupo NaTocaia. O lançamento deste cd está previsto para a primeira quinzena do mês de setembro.
Com Jazzmim, Raul de Souza passará a estar longos períodos no Brasil, para os shows de lançamento.
Extraído da Gravadora Biscoito Fino


Histórias com o Raul

Vou contar aqui 2 passagens minhas com o Raul. Numa delas eu estava com uns 23 anos (sem datas, por favor) e a outra acredito, aconteceu há uns 10 anos.
A primeira eu estava no CREIB de Padre Miguel num baile com o conjunto do baterista Vicente. Quando vi o Raul me aproximei dele e perguntei se queria dar uma canja. Como músico instrumental está sempre doido para tocar, disse que sim. Aí veio o pior, o Vicente não conhecia ele e esnobou o Raul, mesmo eu colocando uma série de argumentos, acabamos nos desentendendo e finalizei dizendo que o conjunto dele era fraco e não estava a altura do Raul. Saímos dali e fomos para um clube próximo chamado Novo México, reduto do famoso Carlos Alberto Parreira (Ex- Técnico da Seleção Brasileira), por sinal o meu “pato” no tênis de mesa, cansei de ganhar dele no próprio Novo México, no CREIB e no Colégio Daltro Santos em Bangu. No Novo México tinha uns garotos tocando num baile oferecido pelo clube. Entramos no clube e o Raul nem quis saber se os meninos eram iniciantes ou não, pediu que eu falasse com eles e os meninos toparam. Quando o Raul começou a tocar os meninos pararam de tocar e ficaram apreciando os solos do Raul. Já passava das 4 da manhã quando o Raul resolveu ir embora...virou-se para mim e disse:
Raul - Bicho você sabe onde mora o Félix?
Heleno - Sei Raul, é perto da minha casa.
Raul –Legal, então Vamos até lá!
Heleno – Mas Raul é muito tarde, já passa das 5 horas da manhã.
Raul – Não faz mal. Vou tirar um som na porta da casa do Bicho e ele vai acordar.
Partimos para a casa do Félix quando chegamos na porta da casa dele, o Raul tirou o trombone da caixa e atacou com a Balada It Might as Well Be Spring. Raul conseguiu acordar todos o cachorros da rua e as pessoas começaram a acender as luzes, inclusive o Félix que logo reconheceu o som do Raul. Nos recebeu muito bem. Não me lembro da hora que saímos de lá, mas foi muito legal.
O encontro mais recente foi em Campo Grande no Bairro Adryana onde morei durante muitos anos. O Raul tinha aparecido no Bola Preta e conheceu uns amigos meus e ele estava acompanhado da crooner da Banda do Bola Preta que, também é minha amiga e não sabia que o Raul me conhecia. Não sei como surgiu meu nome na conversa e o Raul disse que me conhecia e que havia muito tempo que não me via. Marcou com o pessoal e apareceu lá em casa com uns músicos e começamos a bater papo até altas horas. O Raul tinha voltado dos EUA onde viveu mais de 20 anos. Preparei uma grande homenagem para ele no outro dia. Tinha um vizinho, o Helinho, que foi um dos bateristas da “Turma da Gafieira”, um dos melhores conjuntos de baile que já tocou nas gafieiras do Rio de Janeiro no qual o Raul, também, fazia parte. O Helinho ainda tinha a camisa do conjunto e resolveu a dar de presente ao Raul e eu tinha o disco original e único gravado pelo conjunto e também dei de presente ao Raul. Raul ficou muito emocionado e nunca imaginou que ainda pudesse existir aquelas relíquias.

Heleno G. Paulo


Próxima Biografia – Zeca do Trombone

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Rachelle Ferrell Autumn Leaves 1989

Olha só que agudo impressionante e veja como ela brinca com a voz, do som mais grave ao agudo. Digno de de uma Sarah Vaughan. Pena que tenha inveredado para música pop comercial. Para completar os excelentes solos do Michel Petruccianni e do Wayne Shorter e a base de dar gosto com a competência do baixista Stanley Clark e o do baterista Lenny White.

Rachelle Ferrell Autumn Leaves 1989

Notas de Falecimento

Faleceu no primeiro dia do ano o contrabaixista Charles Fambrough e, também, faleceu o pianista Billy Taylor.

Baixada Jazz Big Band na Sala Baden Powell - Jan de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Baixada Jazz Big Band


Altair Martins
BJBB - Baixada Jazz Big Band dia 2 de fevereiro no nosso concerto mensal na Sala Baden Powel, o melhor do jazz sempre com novos arranjos e convidados especiais - Nesse concerto Fernando Costa - piano e Eduardo Neves - sax tenor.

E Pra Jazz - Mr. P.C. by Coltrane - e pra jazz

Tributo a John Coltrane e Miles davis


Em março de 2011, realizar-se-á, na sub-sede do SINPRO-Rio de Campo Grande, uma reunião de músico que prestarão homenagem aos grandes ícones do Jazz: Miles Davis e John Coltrane. Aguardem....

Baixada Jazz Big Band

No dia 21 de janeiro de 2011, sexta-feira passada, na Sala Baden Powell, tive a oportunidade de conhecer a Baixada Jazz Big Band, conduzida pelo meu amigo Altair Martins, um dos melhores trumpetistas do Brasil. Composta de um nipe de 5 saxs, 4 trombones, 5 trumpetes, piano, baixo e bateria. Há muito tempo não via uma banda tão bem estruturada e com arranjos muito bem ensaiados. Apesar de alguns músicos, como o batera, ter sido convidado de última hora e a sentida ausencia do Idris Broudrioua. Mas para abrilhantar mais a apresentação as canjas do Ricardo Pontes (sax alto) e do Jessé Sadoc (trumpete), que sem dúvidas fazem parte do grupo de grandes instrumentistas do Brasil. E como está tocando este menino... Fiquei feliz, também, de ver o menino Diogo Gomes (trumpet) fazendo parte do nipe de trumpet. Lembrei do primeiro solo do Diogo na nossa casa, aos 14 anos, por ocasião de um dos meus aniversários (sem data por favor... rs rs), fazendo o seu primeiro solo no clássico "Flamingo" arranjo do seu paizão Cesário Constâncio (Trombone) e conduzindo naquele momento uma pequena big band (sem redundância, por favor). Revi o Arimatéia (trumpete) que tinha medo de tirar o instrumento da caixa quando íamos para casa do Cesão (baixo) comemorar o dia dos músicos, dizia: "-Aqui só tem feras, não dá pra mim não!!!" E hoje é uma das feras, fêz belos solos na banda. Que bom voltar a bater papo com o meu bom amigo Cesão, prejudicado pelo mal uso do som na Sala Badem Powell (a meu ver o único ponto fraco da apresentação). Altair muito obrigado pelo convite. Vou promover a Banda neste Blog.

Jazz Piano Trio - Autumn Leaves


Para os pianistas e tecladistas que apreciam um bom Jazz